Waza-aris de difícil digestãoO Brasil tem muitos motivos para se lamentar nesse primeiro dia de competições. Dois judocas perderam chances incríveis e acabaram deixando o país sem pódio.
Na primeira participação nesse mundial, Denílson Lourenço perdeu logo na primeira luta. Mal pisou no tatame, o judoca de 32 anos tomou logo de cara um waza-ari. No meio da luta, tentou um golpe, levou o contra-golpe e caiu de lado no chão, ou seja, outro waza-ari, indo logo pro chuveiro.
O segundo a entrar em ação, foi Leandro Cunha. O meio leve, reserva do Bi-campeão olímpico João Derly que não foi ao mundial devido a uma lesão, começou vencendo o moçambicano Bruno Luzia, e na luta seguinte entrou no tatame para encarar o bi-campeão olímpico e vice-mundial Masato Uchishiba do Japão. Mas quem pensa que isso justificaria uma possível derrota do brasileiro estava enganado. Cunha dominou a luta desde seu início e após 2 minutos já vencia o embate com um waza-ri e uma punição a seu favor. Inexplicavelmente porém, quando a luta entrou em seu minuto final, o brasileiro começou a caminhar de lado, fugindo da luta. O Japonês aceitou os movimentos e esperou o momento certo de entrar entre as pernas do brasileiro e jogá-lo de costas no tatame. Golpe perfeito, Ippon!!! : “Quando você tem uma vantagem tão alta, você não pode tomar um ippon assim, como ele tomou" – esbravejou o técnico da seleção brasileira, Luiz Shinohara, às câmeras do canal de esportes Sportv.
Mas a incredulidade do técnico da seleção masculina foi , mais tarde, compartilhada por Rosicléa Campos, técnica do time feminino. Sua atleta na categoria Ligeiros, Sarah Menezes, deve ter visto a luta de seu companheiro de seleção e resolveu fazer igual. Após eliminar Paula Pareto da Argentina, atleta medalhista de bronze em Pequim-2008, e Liudmila Bogdanova da Rússia, perdeu de forma incontestável para a atual campeã olímpica Alina Dumitri, da Romênia. Mas como a atleta brasileira perdeu na última etapa antes das semi-finais, ela tem direito a uma luta de repescagem contra a perdedora de uma das semi-finais para, em caso de vitória, lutar pelo Bronze.
E foi justamente o que aconteceu. Na repescagem, Sarah venceu com facilidade a atleta do Belarus Volha Leschanka por 3 yukos contra 1 e partiu motivada para a disputa do bronze contra sul-coreana Jung Yeon Chung.
Com 2 minutos e meio de luta, exatamente no meio do tempo de 5 minutos regulamentares, assim como aconteceu com seu companheiro de seleção, Leandro Cunha, a brasileira conseguiu um waza-ari de vantagem. Neutralizando bem as entradas de sua adversária, a atleta caminhava bem para a vitória até o último minuto. Faltando exatos 48 segundos para o final, outra catada de pernas e outro brasileiro na lona. Vai ser difícil digerir 2 derrotas inacreditavelmente iguais e de uma forma que um atleta de alto nível não pode permitir numa competição tão importante como o mundial.
Para os que possuem pouco conhecimento do judô. Mas comparando com o futebol, é o mesmo que perder um penalty e no contra-ataque tomar o gol. Como é que se toma um contra-ataque com um penalty a seu favor. Como é que se perde uma luta no último minuto tendo uma vantagem de um waza-ari que só perde para o Ippon, golpe perfeito, em termos de pontuação?

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