segunda-feira, 31 de agosto de 2009

BOXEADORES BRASILEIROS LUTAM POR DIAS MELHORES PARA O ESPORTE NO PAÍS


Punhos de aço brasileiro

Depois de torcermos por quimonos em tatames da Holanda, chegou a vez de trocarmos os quimonos pelas luvas, pois começa nesta terça-feira, 1º de setembro, o Mundial masculino de Boxe Amador. Os boxeadores brasileiros sobem aos ringues da cidade italiana de Milão para tentar acabar com um jejum de 23 anos sem pódio na competição.

Serão doze dias de competições, reunindo 700 atletas de 143 países. Pelo Brasil, competem seis pugilistas: Paulo Carvalho (até 48 kg), Robson Conceição (até 57 kg), Everton Lopes (até 64 kg), Pedro Lima (até 69 kg) e a revelação de 21 anos Yamaguchi Falcão (até 75 kg).

Apesar de viajar com uma equipe reduzida, o técnico da seleção brasileira João Carlos Soares acredita que as chances de uma medalha nunca foram tão concretas: “Eles são lutadores novos na idade, mas com muita experiência internacional. Já venceram grandes combates. Hoje, os estrangeiros sabem que, diante de um brasileiro, terão pela frente luta dura, não é brincadeira – concluiu o treinador cubano que dirige a seleção desde 2007.

Medalhista de ouro no Panamericano realizado no México, mês passado, Paulo Carvalho é uma das maiores jóias dessa seleção. O atleta esteve a uma vitória da medalha em Pequim (terminou em 5º) e é o atual campeão das Américas em sua categoria. Mas o pais ainda confia nos bons golpes de Robson Conceição, que também foi ouro no México, e do novato Yamaguchi Falcão, 5º colocado do Ranking Mundial de 2009.

sábado, 29 de agosto de 2009

PRUDÊNCIA E CANJA DE GALINHA

Marcelinho Huertas "acaba com o jogo" e Brasil vence a Argentina
Anotem uma coisa que eu vou lhes dizer. Nem o basquete brasileiro está essa maravilha toda, nem o judô esqueceu o que é vencer. Está anotado? Agora, vamos aos fatos. O Brasil venceu na tarde de ontem sua terceira partida consecutiva no pré-mundial das Américas de basquete. Com grande atuação de Marcelinho Huertas, o nome do jogo, a seleção brasileira venceu seu maior rival no continente por 76 a 67.

E a coisa ficou feia para los hermanos. Mais tarde, o Panamá surpreendeu a Venezuela (80 a 71) derrubando a Argentina para a última colocação do grupo B do campeonato. Faltando 2 rodadas para o término da primeira fase, os argentinos não dependem mais unicamente de seus resultados para obter a classificação para as quartas-de-final, aumentando o risco de ficarem de fora do campeonato mundial de 2010 na Turquia, primeira classificatória (5 vagas) para os Jogos Olímpicos de Londres-2012.

Já vi e ouvi muitos amigos jornalistas falando e escrevendo que a Argentina veio com um time B, que não ta nem aí para esse torneio e que estará em Londres, com certeza. Posso até concordar em parte com isso, mas é jogar com a sorte. Primeiro porque não é um time B. É um time com desfalques por contusão, como acontece com qualquer equipe, em qualquer esporte, em qualquer competição. O Brasil mesmo está sem o Tavernari, J. Baptista e Nenê, que fazem falta a qualquer time do mundo. Por outro lado é importante lembrar que se nenhuma equipe das Américas chegarem entre as 5 primeiras do mundial, só restarão 2 vagas para o continente no pré-olímpico, o que diminuem as chances não apenas do Brasil, mas da própria Argentina de estarem em Londres. Se a Argentina não está nem aí para esse torneio e escalou mesmo um time B como especulam alguns colegas, só gostaria de lembrar que o basquete de hoje é altamente competitivo. Quem quiser “brincar”, pode acabar vendo os Jogos de Londres pela televisão.

Da mesma forma, muito afoitos se apressam em dizer que o judô brasileiro está fazendo vergonha na Holanda. Também não concordo. Mesmo Thiago Camilo, atual campeão mundial e que lutou apenas 2 minutos antes de ser precocemente eliminado, não se pode dizer que decepcionou. O Brasil, como já adiantei antes do mundial, está iniciando um trabalho que visa um grande desempenho em Londres-2012. O próprio Camilo mudou de categoria (dos 81 para a dos 90 kg). Alguns titulares estão contundidos, como o Flávio Canto, João Gabriel e João Derly. Outras categorias estão se renovando, apresentando atletas ainda em fase de formação, com idade para as equipes de base ainda.

Mesmo assim, alguns resultados, principalmente no feminino são animadores. Nessa modalidade, foram 4 atletas com menos de 21 anos e o país obteve vitórias com todas elas, sendo que 2 atletas chegaram às semi-finais. No masculino ainda tivemos um atleta também juvenil, Elias Nacif, que venceu 3 lutas e ficou na 7 º colocação. Pois guardem esses nomes. São 6 atletas, todos com idade inferior a 22 anos, que, além do Nacif que tem 20, irão dar muitas alegrias ao judô brasileiro: Érica Miranda, Rafaela Silva, Sarah Menezes, Maria Portela, Rochelle Nunes e Mayra Aguiar, que contundida não foi ao mundial.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DERROTA PARA O BRASIL PODE TIRAR ARGENTINA DO MUNDIAL

Todos juntos contra a Argentina

Partida decisiva para argentinos e brasileiros no pré-mundial das Américas. Após duas vitórias na competição, a equipe brasileira reúne todas as suas forças em busca da classificação antecipada para a próxima fase da competição. Já a equipe campeã olímpica de 2004 e bronze em Pequim-2008, a Argentina, pode dar adeus ao mundial do ano que vem ainda nessa tarde. Após a derrota diante dos venezuelanos na estréia (69 a 85), os argentinos tem a obrigação de vencer o Brasil na tarde de hoje, 14h30, horário de Brasília, para não ficar em situação difícil na competição.
O pré-mundial classifica 4 equipes das Américas para o Mundial da Turquia-2010. O torneio está sendo disputado na República Dominicana com 10 equipes divididas em 2 grupos de 5. O EUA estão fora do torneio pois o campeão olímpico já tem vaga no mundial. Mesmo assim, a disputa promete ser acirrada, pois Canadá e Porto Rico levaram o que tem de melhor para a competição.
Os Hermanos, apesar de não contararem com Manu Ginóbili, lesionado, levaram sua principal equipe para a competição, com os experientes Luis Scola e Roman Gonzalez. Mesmo assim a equipe está apenas na 4º colocação do Grupo B e uma nova derrota, torna obrigatória vitória contra o Panamá e as donas da casa, a República Dominicana. Mesmo vencendo esses 2 confrontos, a Argentina teria um adversário de peso nas quartas-de-final. Com o Brasil invicto e a Venezuela logo atrás, os Argentinos ficariam em 3º e teriam como adversários na próxima etapa, eliminatória, Canadá ou Porto Rico. Portanto, é ou tudo ou nada para los hermanos na tarde de hoje.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

BRASIL SUPERA NERVOSISMO DE ESTREÍA, MÃO CERTEIRA DE FRANCISCO GARCIA E OBTÉM PRIMEIRA VITÓRIA NO PRÉ-MUNDIAL DAS AMÉRICAS

BRASIL VENCE A PRIMEIRA
Foi mais ou menos como se esperava. Depois de um primeiro tempo muito equilibrado e uma partida definida nos segundos finais, o Brasil estreou com vitória, 81 a 68 sobre a República Dominicana, nesta quarta-feira, dia 26 de agosto, no torneio pré-mundial das Américas. Amanhã o Brasil enfrenta a Venezuela, às 19h20, jogo que você pode acompanhar ao vivo pelo site do esporte interativo.

Na partida de hoje o Brasil começou melhor, principalmente com Thiago Splitter na defesa e Anderson varejão (foto) no ataque. Depois de abrir 10 pontos no marcador, a seleção viu, porém, a equipe dominicana crescer na partida. Após a saída de Splitter com 2 faltase de dois erros consecutivos de Marcelinho, o ginásio de San Juan assistiu a um verdadeiro um show de cestas de 3 pontos do ala Francisco Garcia, o que colocou a equipe caribenha novamente no jogo.

Foi então que o técnico da seleção brasileira, o espanhol Moncho Monsalve, colocou Marcelinho em quadra. E o ala do Flamengo não desperdiçou a oportunidade, acertou duas cestas de três pontos e colocou o Brasil novamente na frente ao final da primeira etapa: Brasil 38 X 36 República Dominicana.

O terceiro quarto foi vergonhoso. Erros primários de ambos os lados tornaram a partida difícil para as equipes e para os torcedores. As saídas dos pivôs Thiago Splitter do Brasil e Al Horford da equipe dominicana com quatro faltas só piorou o quadro, pois os dois vinham bem na partida. Melhor para a equipe da casa que foi para o último período com a vantagem de 4 pontos no marcador: 61 a 57.

No quarto e último período, Alex entrou com a mão calibrada e com tiros de média e longa distância, recolocou o Brasil na frente. A quinta falta do habilidoso armador Villanueva facilitou as coisas para a equipe brasileira que contando com o seu time titular de volta à quadra dominou os instantes finais, garantido a primeira vitória brasileira no torneio.

MUNDIAL DE JUDÔ - 1º DIA

Waza-aris de difícil digestão

O Brasil tem muitos motivos para se lamentar nesse primeiro dia de competições. Dois judocas perderam chances incríveis e acabaram deixando o país sem pódio.

Na primeira participação nesse mundial, Denílson Lourenço perdeu logo na primeira luta. Mal pisou no tatame, o judoca de 32 anos tomou logo de cara um waza-ari. No meio da luta, tentou um golpe, levou o contra-golpe e caiu de lado no chão, ou seja, outro waza-ari, indo logo pro chuveiro.

O segundo a entrar em ação, foi Leandro Cunha. O meio leve, reserva do Bi-campeão olímpico João Derly que não foi ao mundial devido a uma lesão, começou vencendo o moçambicano Bruno Luzia, e na luta seguinte entrou no tatame para encarar o bi-campeão olímpico e vice-mundial Masato Uchishiba do Japão. Mas quem pensa que isso justificaria uma possível derrota do brasileiro estava enganado. Cunha dominou a luta desde seu início e após 2 minutos já vencia o embate com um waza-ri e uma punição a seu favor. Inexplicavelmente porém, quando a luta entrou em seu minuto final, o brasileiro começou a caminhar de lado, fugindo da luta. O Japonês aceitou os movimentos e esperou o momento certo de entrar entre as pernas do brasileiro e jogá-lo de costas no tatame. Golpe perfeito, Ippon!!! : “Quando você tem uma vantagem tão alta, você não pode tomar um ippon assim, como ele tomou" – esbravejou o técnico da seleção brasileira, Luiz Shinohara, às câmeras do canal de esportes Sportv.

Mas a incredulidade do técnico da seleção masculina foi , mais tarde, compartilhada por Rosicléa Campos, técnica do time feminino. Sua atleta na categoria Ligeiros, Sarah Menezes, deve ter visto a luta de seu companheiro de seleção e resolveu fazer igual. Após eliminar Paula Pareto da Argentina, atleta medalhista de bronze em Pequim-2008, e Liudmila Bogdanova da Rússia, perdeu de forma incontestável para a atual campeã olímpica Alina Dumitri, da Romênia. Mas como a atleta brasileira perdeu na última etapa antes das semi-finais, ela tem direito a uma luta de repescagem contra a perdedora de uma das semi-finais para, em caso de vitória, lutar pelo Bronze.

E foi justamente o que aconteceu. Na repescagem, Sarah venceu com facilidade a atleta do Belarus Volha Leschanka por 3 yukos contra 1 e partiu motivada para a disputa do bronze contra sul-coreana Jung Yeon Chung.
Com 2 minutos e meio de luta, exatamente no meio do tempo de 5 minutos regulamentares, assim como aconteceu com seu companheiro de seleção, Leandro Cunha, a brasileira conseguiu um waza-ari de vantagem. Neutralizando bem as entradas de sua adversária, a atleta caminhava bem para a vitória até o último minuto. Faltando exatos 48 segundos para o final, outra catada de pernas e outro brasileiro na lona. Vai ser difícil digerir 2 derrotas inacreditavelmente iguais e de uma forma que um atleta de alto nível não pode permitir numa competição tão importante como o mundial.

Para os que possuem pouco conhecimento do judô. Mas comparando com o futebol, é o mesmo que perder um penalty e no contra-ataque tomar o gol. Como é que se toma um contra-ataque com um penalty a seu favor. Como é que se perde uma luta no último minuto tendo uma vantagem de um waza-ari que só perde para o Ippon, golpe perfeito, em termos de pontuação?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

MUNDIAL DE JUDO

GARIMPANDO OURO NOS TATAMES DA HOLANDA
começa nessa quarta-feira o Mundial de Judo/2009. O torneio desse ano está meio esvaziado. Algumas equipes, como o Brasil, não foram para a Holanda com o que tem de melhor. Primeiro porque a competição de 2009 não contará pontos para o rankeamento de Londres 2012. Além disso, os principais atletas deram uma relaxada após o difícil ano de 2008, onde os torneio classificatório para Pequim e o próprio torneio olímpico desgastaram muito os principais atletas. Outro fator impactante sobre o mundial desse ano é o processo natural de renovação que todo mundo faz após o final de um ciclo olímpico. Portanto, se não teremos as grandes estrelas, poderemos nos deparar com grande surpresas, candidatos à novos ídolos no esporte. Mesmo sem alguns de seus atletas olímpicos, Brasil, Belarus, França e Japão, pela tradição e pela quantidade de grandes atletas que formam, permanecem como favoritos. O Brasil atingiu no Judô, o mesmo status que possui no Futebol, na Vôlei de quadra e de praia e na Vela; “Venha quem vier, o Brasil é sempre favorito”, confirma o coordenador técnico da seleção, Ney Wilson. No masculino, a grande ausência brasileira é mesmo João Derly, bi-campeão mundial. Mas não se pode dizer que a seleção é inesperiente. Estão no Tatame holandês nomes como Thiago Camilo, atual campeão mundial, prata em Sidney e Bronze em Pequim; Denílson Lourenço, ouro nas etapas da Copa do Mundo de Judô em 2008 e 2009 e bronze no mundial por equipes em 2008; Leandro Cunha, prata na Super Copa de Paris e ouro também em BH;Leandro Grilheiro, bronze nas olimpíadas de Atenas e Pequim e prata no Grand Slam de Judô 2009; Luciano Correa (FOTO), atual campeão mundial na categoria até 100 kg e prata no Grand Slam de 2009; Daniel Hernandes, prata no mundial de 98, bronze em 2008, e ouro no Grand Slam de 2009. No Feminino, os principais destaques da equipe brasileira são Érica Miranda, 5ª colocada em Pequim, ouro na Copa do Mundo em BH, prata no Pan do Rio e bronze no mundial por equipes em 2008; Danielli Yuri, prata no Pan do Rio e bronze nas etapas da Copa do Mundo de Lisboa e Belo Horizonte em 2009; Sarah Menezes, ouro nas Copas do Mundo de Lisboa e Madri em 2009. Mas o país tem gente nova no tatame, querendo ser grande e fazer bonito nesse mundial. Os destaques vão para o jovem Nacif Elias, promessa de 20 anos que desbancou na luta pela vaga no mundial ninguém menos que Flávio Canto, após conquistar a prata no Grand Slam de 2009 e o ouro nos Jogos da Lusofonia. No Feminino, a renovação é mais acentuada e promissora. Rafaela Silva é o grande nome dessa nova geração. Nascida de um projeto social na rocinha desenvolvido pelo Judoca Flávio Canto, a atleta conquistou o ouro no mundial jr do ano passado e o ouro da Copa do Mundo de Madri este ano. Maria Portela, 21 anos e Rochelle Nunes, 20 anos, são outras duas atletas da nova geração com resultados expressivos no ano e que podem surpreender as favoritas no mundial. Portela tem como melhores resultados as medalhas de prata na Copa do Mundo de BH e no pan-americano da modalidade, ambas competições realizadas esse ano. Já Rochelle foi bronze em BH, mas superou sua compatriota e foi ouro no pan-americano. O Campeonato mundial começa amanhã e terá cobertura completa aqui no Blog do Galvão.

Barrichello

VITÓRIA PARA FAZER HISTÓRIA
Na semana em que a seleção brasileira feminina de vôlei conquistou seu oitavo título da liga meu destaque vai para a 100º vitória de um brasileiro na Fórmula 1. E, sinceramente, não poderia ter ficado em melhores mãos.
Criticado, esculachado, subestimado. Barrichello sempre foi vítimas de piadas, a maioria, maldosas, por boa parte da imprensa brasileira. Sim, brasileira. Porque lá fora, Barrichello sempre foi respeitado como um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1.
Talvez por nunca ter conquistado um título mundial, por ter sido o fiel escudeiro de Schumacher, pela “sambadinha” que dá no podium, pela falta de sorte que realmente teve em determinados momentos de sua carreira, ou pela vontade subconsciente de um povo em querer que ele fosse uma pessoa que ele não era.
Barrichello deu de ombros para tudo e para todos. Foi sempre um profissional dedicado. Um ser humano atencioso, simpático e emotivo. Parecia não entender o porquê de tantas “sacanagens” que faziam com ele na mídia. Sofria.
Eu também, não entendo. Barrichello é um grande piloto. Consistente, agressivo, arrojado, corajoso e muitas outras coisas que insistem em dizer que ele não é. Acompanhei e vi belíssimas ultrapassagens, corridas e vitórias desse brasileiro que tem a honra de trazer para o país a centésima vitória de nossos pilotos desde que o mundial da FIA foi criado. Uma bela conquista pessoal. Um belo Ipoon em críticas descabidas e desproporcionais. Quem sabe agora Rubens Barrichello consiga um lugar digno na história e no coração da torcida brasileira.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Aprendendo a Vencer – Parte II

Quando digo que, no esporte de alto rendimento, não basta ser o melhor, tem que se ter o pleno domínio do que isso significa, estou falando exatamente que é preciso saber vencer. Podem acreditar, quando se conhece o caminho das vitórias, elas saem com uma facilidade impressionante. Mas, quando ao contrário, não se conhece o caminho, acumulam-se derrotas inacreditáveis. Foi assim, durante anos, com a seleção brasileira de vôlei feminino. É assim com Jadel Gregório, Diego Hipólito e o basquete masculino.
Quem não se lembra daquele 24 a 19 sobre a Rússia? Para quem não acompanha voleyball ou jogos olímpicos, eu relembro o fato. O Brasil vencia seu jogo pelas semi-finais das Olimpíadas de Atenas-2004 por 2 sets a 1 e caminhava para vencer o quarta set e o jogo com tranqüilidade. Quando chegou na hora de fechar o set, sacou com o placar apontando 24 a 19, ou seja, 5 match point, 5 chances para fechar o jogo e o que aconteceu? PERDEU!!!! Perdeu o Set, perdeu o jogo e no dia seguinte, como conseqüência daquela inacreditável derrota, perdeu ainda a medalha de bronze, amargando um indigesto quarto lugar.
Mas foi exatamente ali que o Brasil aprendeu a vencer. O técnico José Roberto Guimarães, este sim, acostumado a vencer (foi ouro com a seleção masculina em Barcelona-1992) não digeriu aquele fracasso. Sabia que era inaceitável uma derrota daquelas e que providencias podiam e deveriam ser tomadas para que aquilo nunca mais se repetisse com aquela seleção. Zé Roberto sabia do potencial das meninas, que já haviam ganhos 6 Grand Prix, uma infinidade de torneios internacional, mas que sempre fracassavam diante das competições mais importante como Mundial e Olimpíadas.
Após aquele jogo, o técnico convenceu a Confederação Brasileira de Vôlei de que era necessário contratar um profissional que embutisse na cabeça das jogadoras que elas eram as melhores do mundo e que, por esta razão, nada além da medalha de ouro pode ser aceito. Na preparação para os Jogos de Pequim foi então contratada a psicóloga Sâmia Hallage, que trabalhou a preparação mental das atletas da seleção, fazendo-as tomar conhecimento de seus verdadeiros potenciais.
O resultados, todos já conhecem. O Brasil passou a “sobrar” na turma. Ganhou com extrema facilidade a medalha de ouro nos jogos olímpicos de Pequim e todos, absolutamente todos os torneios que se seguiram desde então. Neste exato momento, está disputando as finais de mais uma liga mundial em sua versão feminina, o Gran Prix, onde já venceu China, Rússia e Alemanha, e caminha de forma tranqüila e invicta para a conquista de seu oitavo título na competição.
Não tem segredo. A coisa é muito simples. Alguns atletas brasileiros, eu diria a maioria, tem o que se pode chamar de Síndrome da Gata Borralheira. Por ter nascido num país pobre, com poucos investimentos no esporte, passando por inúmeras dificuldades, o atleta se vê incapaz de chegar aonde tem possui todas as condições para fazê-lo.
Jadel Gregório ganhou tudo no Ano Olímpico. Chegou a Pequim após ter batido o recorde sul americano de 20 anos do João do pulo, com 17,90, melhor salto do mundo em 2008. E o que aconteceu nos Jogou? PERDEU!!!! Atolou-se na caixa de areia e amargou um 6º lugar com ridículos 17,20. Pior, o medalhista de ouro, Nélson Évora de Portugal, saltou apenas 17,67, bem abaixo dos melhores saltos de Jadel, que já em 2004 também havia saltado mal, acabando na 5ª colocação.
Diego Hipólito também ganhou tudo. Ganhou até um movimento com o seu nome. Foi campeão mundial, ganhou quase todas as etapas da Copa do Mundo e se manteve o ano inteiro como 1º do ranking mundial. E o que aconceceu? PERDEU!!! Caiu sentado, de bunda no tablado, num dos maiores micos da história olímpica brasileira. O Bi-campeão mundial da prova, sentava assim, em cima da esperança de uma primeira medalha olímpica para a ginástica brasileira.
Já o basquete brasileiro ainda vive o drama da aposentadoria do Oscar. Maior astro de todos os tempos, a seleção simplesmente não consegue vencer uma competição importante sem seu maior ídolo. Vence Copa América, vence Pan Americano e quando chega num mundial e olimpíadas, perde jogos inacreditáveis, sempre no finalzinho e volta pra casa com aquele gosto de guarda-chuvas na boca.
No último pré-olímpico o Brasil perdeu para Porto Rico duas vezes por 4 pontos nos acréscimos, depois de passar o jogo inteiro na frente. Contra a Argentina, tomou uma virada espetacular depois de colocar quase 20 pontos na frente. No pré-olímpico de 2003, foi ainda pior. Perdemos 2 jogos por 1 cesta (Brasil 74, Argentina 76 e Brasil 70, Porto Rico, 72) e outra por 4 pontos (Brasil 97, Canadá, 101). Em todos, rigorosamente, todos os jogos, o Brasil esteve na frente na maior parte do jogos e o “entregou” sempre no final da partida.
Muitos dizem que é desorganização, falta de bons jogadores, desmotivação, falta de estrutura...Vão pensando assim e o Brasil segue perdendo. Agora mesmo, está disputando um torneio em que já venceu Argentina, Porto Rio e Canadá. Quero ver na hora H, no pré-mundial. Enquanto nada for feito na cabeça desses atletas, vamos continuar e torcer, torcer, torcer e o time irá sempre morrer na praia. É preciso, antes de mais nada, aprender a vencer. Mudar a mentalidade custa muito menos e traz muito mais resultados. Podes crer.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

APRENDENDO A VENCER

Estive fora uns dias, numa onda diferente, mas estou de volta. E sem perda de tempo, porque muita coisa rolou durante a minha ausência, vamos direto aos assuntos e, como diria Jack, vamos por partes. Essa semana recebi um e-mail de uma galera irada com a candidatura do Brasil às olimpíadas. Disseram-me que é piada, que o Brasil vai pagar o maior mico de sua história, entre outras coisas.

Reconheço que para organizar uma olimpíada, o país sede tem a obrigação de fazer, pelo menos, um papel decente. Canadá, México, Corea e outros países com similar tradição no esporte, fizeram seus melhores papéis em grandes competições mundiais quando sediaram tais eventos. Concordo, o Brasil ainda engatinha na maioria dos esportes olímpicos. Só não concordo quando dizem que não está havendo uma evolução e que o país está mesmo fadado ao fracasso em 2016.

Na natação, por exemplo, o país está formando pela primeira vez na sua história uma equipe competitiva. Os resultados apresentados no mundial desse ano são animadores. Animação essa que deveria ser a mesma até sem as medalhas de ouro do Césão. Sei que não seria. Sei que entenderiam como fracasso, mas não foi. Cielo foi, digamos assim, (não! não vou cometer o insulto insano de dizer apenas) a cereja do bolo.

As outras duas medalhas conquistadas pela natação brasileira nesse mundial, prata de Felipe França e bronze da Poliana Okimoto, já seriam suficientes para se fazer uma bela festa, visto que o país não subia ao pódio na competição desde 94. Mas não é só isso que nos deixa animados. O Brasil colecionou em Roma 1 recorde mundial, 9 recordes da competição, 6 recordes Panamericanos (incluindo aí os melhores tempos conquistados por atletas americanos) e 33 recordes sul-americanos.

Nossos atletas participaram de 18 finais. Thiago Pereira foi 4º em duas provas, nos 200 e 400 medley, Caio Márcio foi o 4º nos 200 borboleta e os revezamentos 4x100 livre e 4x100 medley também ficaram a poucos milésimos de segundos da medalha. Gabriela Silva errou na chegada e acabou em 5º nos 50 metros borboleta numa prova em que ficou a maior parte do tempo em 2º. Mesma posição obteve seu compatriota Nicolas Santos na mesma prova em sua versão masculina.

Nenhum brasileiro terminou qualquer prova desse mundial na 6º colocação. Em 7º , tivemos João Jr. nos 50 peito e Henrique Barbosa nos 200 peito. Em oitavo lugar, terminaram o mundial representando o Brasil, Gabriel Mangabeira nos 100 Borboleta, Daynara de Paula nos 50 borboleta, Fabíola Molina nos 50 costas, Nicolas Oliveira nos 100 metros livres, Henrique Barbosa nos 100 peito e o revezamento 4x100 medley feminino.

Portanto, não foram apenas as 4 medalhas que nos enchem de orgulho na participação brasileira no mundial de Roma. Ficamos 5 vezes um degrau abaixo do pódio e por 2 vezes apenas dois degraus. Degraus que se medem em milésimos de segundo. Importante destacar também a presença de 3 revezamentos em finais, principalmente os revezamentos medley, feminino e masculino, demonstrando que o trabalho está sendo feito em todos os estilos, com os homens e com as mulheres.

Para muitos, sempre céticos e críticos, a natação brasileira ainda engatinha. Pois eu vos digo, com toda a sinceridade. Estamos aprendendo a vencer.