Quando digo que, no esporte de alto rendimento, não basta ser o melhor, tem que se ter o pleno domínio do que isso significa, estou falando exatamente que é preciso saber vencer. Podem acreditar, quando se conhece o caminho das vitórias, elas saem com uma facilidade impressionante. Mas, quando ao contrário, não se conhece o caminho, acumulam-se derrotas inacreditáveis. Foi assim, durante anos, com a seleção brasileira de vôlei feminino. É assim com Jadel Gregório, Diego Hipólito e o basquete masculino.Quem não se lembra daquele 24 a 19 sobre a Rússia? Para quem não acompanha voleyball ou jogos olímpicos, eu relembro o fato. O Brasil vencia seu jogo pelas semi-finais das Olimpíadas de Atenas-2004 por 2 sets a 1 e caminhava para vencer o quarta set e o jogo com tranqüilidade. Quando chegou na hora de fechar o set, sacou com o placar apontando 24 a 19, ou seja, 5 match point, 5 chances para fechar o jogo e o que aconteceu? PERDEU!!!! Perdeu o Set, perdeu o jogo e no dia seguinte, como conseqüência daquela inacreditável derrota, perdeu ainda a medalha de bronze, amargando um indigesto quarto lugar.
Mas foi exatamente ali que o Brasil aprendeu a vencer. O técnico José Roberto Guimarães, este sim, acostumado a vencer (foi ouro com a seleção masculina em Barcelona-1992) não digeriu aquele fracasso. Sabia que era inaceitável uma derrota daquelas e que providencias podiam e deveriam ser tomadas para que aquilo nunca mais se repetisse com aquela seleção. Zé Roberto sabia do potencial das meninas, que já haviam ganhos 6 Grand Prix, uma infinidade de torneios internacional, mas que sempre fracassavam diante das competições mais importante como Mundial e Olimpíadas.
Após aquele jogo, o técnico convenceu a Confederação Brasileira de Vôlei de que era necessário contratar um profissional que embutisse na cabeça das jogadoras que elas eram as melhores do mundo e que, por esta razão, nada além da medalha de ouro pode ser aceito. Na preparação para os Jogos de Pequim foi então contratada a psicóloga Sâmia Hallage, que trabalhou a preparação mental das atletas da seleção, fazendo-as tomar conhecimento de seus verdadeiros potenciais.
O resultados, todos já conhecem. O Brasil passou a “sobrar” na turma. Ganhou com extrema facilidade a medalha de ouro nos jogos olímpicos de Pequim e todos, absolutamente todos os torneios que se seguiram desde então. Neste exato momento, está disputando as finais de mais uma liga mundial em sua versão feminina, o Gran Prix, onde já venceu China, Rússia e Alemanha, e caminha de forma tranqüila e invicta para a conquista de seu oitavo título na competição.
Não tem segredo. A coisa é muito simples. Alguns atletas brasileiros, eu diria a maioria, tem o que se pode chamar de Síndrome da Gata Borralheira. Por ter nascido num país pobre, com poucos investimentos no esporte, passando por inúmeras dificuldades, o atleta se vê incapaz de chegar aonde tem possui todas as condições para fazê-lo.
Jadel Gregório ganhou tudo no Ano Olímpico. Chegou a Pequim após ter batido o recorde sul americano de 20 anos do João do pulo, com 17,90, melhor salto do mundo em 2008. E o que aconteceu nos Jogou? PERDEU!!!! Atolou-se na caixa de areia e amargou um 6º lugar com ridículos 17,20. Pior, o medalhista de ouro, Nélson Évora de Portugal, saltou apenas 17,67, bem abaixo dos melhores saltos de Jadel, que já em 2004 também havia saltado mal, acabando na 5ª colocação.
Diego Hipólito também ganhou tudo. Ganhou até um movimento com o seu nome. Foi campeão mundial, ganhou quase todas as etapas da Copa do Mundo e se manteve o ano inteiro como 1º do ranking mundial. E o que aconceceu? PERDEU!!! Caiu sentado, de bunda no tablado, num dos maiores micos da história olímpica brasileira. O Bi-campeão mundial da prova, sentava assim, em cima da esperança de uma primeira medalha olímpica para a ginástica brasileira.
Já o basquete brasileiro ainda vive o drama da aposentadoria do Oscar. Maior astro de todos os tempos, a seleção simplesmente não consegue vencer uma competição importante sem seu maior ídolo. Vence Copa América, vence Pan Americano e quando chega num mundial e olimpíadas, perde jogos inacreditáveis, sempre no finalzinho e volta pra casa com aquele gosto de guarda-chuvas na boca.
No último pré-olímpico o Brasil perdeu para Porto Rico duas vezes por 4 pontos nos acréscimos, depois de passar o jogo inteiro na frente. Contra a Argentina, tomou uma virada espetacular depois de colocar quase 20 pontos na frente. No pré-olímpico de 2003, foi ainda pior. Perdemos 2 jogos por 1 cesta (Brasil 74, Argentina 76 e Brasil 70, Porto Rico, 72) e outra por 4 pontos (Brasil 97, Canadá, 101). Em todos, rigorosamente, todos os jogos, o Brasil esteve na frente na maior parte do jogos e o “entregou” sempre no final da partida.
Muitos dizem que é desorganização, falta de bons jogadores, desmotivação, falta de estrutura...Vão pensando assim e o Brasil segue perdendo. Agora mesmo, está disputando um torneio em que já venceu Argentina, Porto Rio e Canadá. Quero ver na hora H, no pré-mundial. Enquanto nada for feito na cabeça desses atletas, vamos continuar e torcer, torcer, torcer e o time irá sempre morrer na praia. É preciso, antes de mais nada, aprender a vencer. Mudar a mentalidade custa muito menos e traz muito mais resultados. Podes crer.

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